AS CACHOEIRAS DE SÃO BENEDITO

 

Em meio à grandiosa floresta, em pleno coração da Amazônia, as corredeiras abrigam a voracidade e a valentia das cachoeiras

 

            Um lugar com ar puro, céu azul, floresta exuberante, exibindo castanheiras com mais de 40 metros de altura, palmeiras repletas de araras e papagaios fazendo algazarra e se lambuzando com frutos em abundância, samambaias gigantes escondidas no meio da floresta e bromélias com suas exóticas flores. Avos multicoloridas, como tucanos, jaçanãs, marrecos, colibris e gaviões, preenchendo a atmosfera selvagem com seu canto, além de grandes mamíferos como o tamanduá, a anta, o veado e a intrigante onça-pintada que, vez ou outra, são flagrados atravessando o rio. Essa, certamente, é uma das descrições do paraíso sonhado.

            Cortando a mata, um rio de águas cristalinas, com cachoeiras e corredeiras envolventes, repleto de peixes esportivos, como tucunarés, matrinxãs, bicudas, trairões, pacus, jaús e cachorras. E este paraíso tem nome: Amazônia.

            A Floresta Amazônica reúne plenamente essas características e possui, além da tão polêmica e discutida biodiversidade, os rios mais piscosos de espécies, quanto em qualidade.

            Um ambiente totalmente selvagem, onde se tem a nítida impressão de que o tempo parou. Não há pressa, não há pessoas sem casa e sem comida, não há violência e principalmente, não há tristeza. Há sim um ambiente hostil e complexo, difícil de ser compreendido pelo homem apaixonante pela beleza e harmonia.

 

Uma predadora voraz e esportiva

 

            Entre as diversas espécies esportivas da região, a cachorra, também conhecida por saranha, se destaca, como um dos peixes mais impressionantes pela agressividade, pela aparência assustadora, pela força e pelo tamanho, que pode ultrapassar 1 metro e passar mais de 15 quilômetros. Quando fisgada, oferece boa resistência, salta várias vezes proporcionando um espetáculo a parte para o pescador. Além disso, ataca iscas artificiais – dos mais variados modelos e cores, inclusive as de superfície – com voracidade.

            No Rio São Benedito, no sul do Estado do Pará, é possível encontrar esse peixe em toda a extensão. Mas é próximo às corredeiras e cachoeiras que os grandes exemplares, acima de 6 quilos, podem ser capturados com maior freqüência.

            A pescaria nesses locais é realizada do barranco, que geralmente é pedregoso e escorregadio. Isso obriga o pescador a procurar um ponto seguro, para efetuar os remessos, e que possibilite, além da briga com o peixe, sua retirada da água. Os lançamentos devem ser feitos nos remansos que se formam, logo após as quedas d’água. Para se identificar esses locais, arremessa-se uma isca flutuante e observa-se os pontos em que ela permanece parada, sem ser levada pela correnteza.

 

Tralha bastante resistente

 

            Para a escolha de equipamento é importante considerar alguns fatores, como a presença de pedras no leito do rio, que são como navalhas e podem, com força do peixe e com a correnteza, causar o rompimento da linha.

            Como o tamanho médio dos exemplares do local é de 6 a 10 quilos, deve-se optar por linhas entre 20 e 35 libras (de 0,40 a 0,60 milímetros) Além disso, são aconselháveis aquelas com pouca elasticidade, para que se tenha um maior número de acertos nas fisgadas.

            A boca da cachorra é muito dura e apresenta muitos dentes, dificultando a penetração do anzol, o que, aliado aos saltos e às corridas velozes, faz com que muitos espécimes escapem. Um empate de aço encapado de 10 a 20 centímetros, com resistência de 30 a 45 libras, é necessário para que se evite a perda de isca. Em conseqüência dos dentes afiados do peixe.

            Os molinetes ou carretilhas devem ser compatíveis com a bitola da linha, cujo limite especificado no equipamento deve ser respeitado. De qualquer forma, um modelo, que comporta 100 metros de linha de linha 0,50 milímetros, é mais que suficiente.

            Para essa modalidade de pesca, são preferíveis as carretilhas, pois permitem o uso de linhas mais grossas e possibilitam uma maiôs precisão nos arremessos, que não sofrem perda de capacidade. Mas os pescadores que preferem os molinetes também poderão ter sucesso desde que arremessem no local correto e trabalhem bem as iscas.

            O freio da carretilha ou do molinete deve ser bem regularizado, para evitar que a linha se rompa e que as garatéias se abram no momento da briga com o peixe. Além disso, a regulagem do equipamento irá garantir maior eficiência e maior segurança ao pescador, principalmente quando estiver sobre pedra escorregadias. Nesses locais, um tranco violento de um peixe de mais de 10 quilos poderá causar um tombo – ou até um acidente mais sério – e comprometer a pescaria.

            As varas também devem estar de acordo tanto com a linha, quanto com a carretilha ou molinete. Não utilize linha mais resistentes do que o indicado no corpo desse equipamento. Para uma vara, por exemplo, com capacidade para linhas de 20 a 30 libras use, no máximo, uma linha com resistência de 30 libras.

            Caso haja necessidade de se promover arremessos mais longos, pode-se optar por varas mais compridas – 2,10 metros -, mas em geral, as entre 1,65 e 2,10 metros são suficientes. É importante também que sejam duras, para facilitar as fisgadas e obter precisão nos arremessos. No corpo das varas também vem especificada a capacidade de arremessos (geralmente em onças – 1 onça=1 oz equivale a 28 gramas). Ali está indicado o peso máximo das iscas, a ser lançada.

 

Iscas naturais ou artificiais

 

            Pescadores que prefiram iscas naturais podem utilizar peixes inteiros, iscados vivos ou mortos. Os mais indicados são os piaus, as matrinxãs e as traíras. Segundo os guias de pesca do local, filés de peixes e minhocuçu também podem dar bons resultados. Deve-se arremessar e guardar o sinal do peixe.

            Já as artificiais, apesar de requererem maior habilidade por parte do pescador, apresentam maior eficiência, devido aos movimentos e ruídos que provocam, ao serem trabalhadas adequadamente. São atrativos irresistíveis para as cachorras.

             As mais recomendadas para a pesca da cachorra, em corredeiras e cachoeiras, são os plugs de barbela que trabalham entre 15 e 40 centímetros de profundidade. Devem ser grandes (18 a 25 centímetros), tendo as garatéias reforçadas. Este fator é muito importante pois as cachorras fisgadas nestes locais são grandes e têm muita força, principalmente no início da briga. Elas, ainda, contam como o auxílio da correnteza, que faz as parecer muito maiores que são realmente.

            Em alguns pontos com águas mais calmas, podem ser utilizadas iscas de superfície, sendo as mais indicadas as do tipo hélice e poppers. Não são aconselháveis as tipo zara, cuja ação é em ziguezague e que, apesar de serem extremamente atrativas às cachorras, proporcionam muitos erros, causando ataques à linha e baixa eficiência de acertos nas fisgadas.